Fada Poética
“Por amor, de tanto que girou, vomitou”

Enquanto meu barco naufraga, os admiro de longe

Talvez eu precise me entrelaçar à solidão mais uma vez. Dançar no quarto escuro e sozinha na melodia da minha respiração solo. Caminhar na calçada em baixo de chuva sem ouvir o ecoar de passos ao meu lado. Entendeu a questão? Preciso nadar, embora não saiba como, sozinha nesse mar tempestuoso que está na espreita de me devorar. Preciso sentir minha pele rasgando, poder gritar sem que ninguém seja afetado aos meus berros.
A dor está batendo na porta, e não pode ter ninguém no meu coração caso contrário ela o alcançará.
Parei com os comprimidos, entrei numa rotina estressante: Eu piorei. Eu sei, perdi total controle e não quero repetir a dose de ter alguém ao meu lado enquanto me afundo. Meu barco está a naufragar e imploro a todos que saiam dele, pois nada mais horrível que levar quem você ama junto para o fundo do mar. Entendam, talvez esse seja o meu jeito de amar. Permitir que sejam feliz na terra firme, enquanto eu assisto-os de longe no meu pequeno barco no meio das águas azuis.

Mas a verdade é que ainda não quero me prender a nada, a nenhum lugar, a ninguém.
Caio Fernando Abreu.
(via inverbos)
‘’Ninguém entende ninguém. Tudo é interstício e acaso.
Fernando Pessoa. (via cerejeiro)
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